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sábado, 21 de fevereiro de 2015

A mais bela da fauna - Aptostichus angelinajolieae Bond, 2008


Quando falamos de mulher bonita, Angelina Jolie é referência mundial! A atriz norte-americana foi eleita a mulher mais bela do mundo diversas vezes. Jolie também se destaca por ser embaixadora da ONU, realizando trabalhos humanitários. Uma espécie foi nomeada em homenagem a Angelina Jolie pelos trabalhos realizados. Mas, considerando sua beleza, nada mais lógico do que homenageá-la com algo bonito e fofo, não é?! Bem, não foi isso que aconteceu. Quem recebeu o nome da atriz foi uma aranha, que aos olhos da maioria não é nada bonita. Conheça então, a mais bela da fauna, a aranha Aptostichus angelinajolieae Bond, 2008.


Aptostichus angelinajolieae Bond, 2008 (Araneae: Euctenizidae)

Etimologia:
Apto = (do Latim, aptus) ligado, vinculado ou atado.
stichus = linha.
angelinajolie = Angelina Jolie.
-ae = radical indicativo de que o epíteto homenageia uma pessoa do sexo feminino.

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Aptostichus angelinajolieae fêmea (95) e macho (96). Fonte: Bond 2012.
Uma aranha-de-alçapão da família Euctenizidae, pertencente à ordem Aranae, foi nomeada pelo pesquisador Jason E. Bond, em 2008, em homenagem à atriz norte-americana Angelina Jolie.

As espécies do gênero Aptostichus, em geral, possuem coloração marrom escura. Entretanto, a coloração do abdômen dos machos é, em sua maioria, marrom-avermelhada escura, enquanto as fêmeas possuem o abdômen com um fundo marrom claro ou cinza escuro e um padrão lembrando a disposição das listras dos tigres. As aranhas-de-alçapão variam do tamanho pequeno ao médio.

Aptostichus angelinajolieae é endêmica do Norte de Monterey, na Califórnia (EUA). As espécies do gênero são encontradas em todos os tipos de habitats e alguns fatores ecológicos podem modificar sua distribuição. É comum encontrar a fêmea em barrancos úmidos e sombreados, onde constroem suas tocas usando folhas, areia e sua teia, feita a partir das fiandeiras que estão localizadas na parte posterior do abdômen. São chamadas aranhas de alçapão por formarem esses buracos no solo, com uma espécie de “porta”, pela qual elas espreitam sua presa para capturá-la. As aranhas são predadoras, alimentando-se de baratas, moscas, grilos e entre outros artrópodes. No geral, para matar suas presas, usam as pontas das quelíceras, injetando veneno no animal capturado.

As fêmeas do gênero Aptostichus são difíceis de serem coletadas. Por isso, os pesquisadores esperam pelas chuvas de inverno, quando, após o ocorrido, as aranhas limpam suas tocas.
Alçapão de Aptostichus sp. Fonte: Bond e Opell, 2002.

O estado de conservação dessa espécie de aranha-de-alçapão é considerado não preocupante, pois é abundante e bem difundida nos locais onde aparece. O gênero Aptostichus possui 40 espécies, sendo 33 delas descritas de uma só vez. As espécies do gênero Aptostichus ocorrem todas nos Estados Unidos, sendo a maioria endêmica da região da Califórnia. Jason E. Bond descreveu praticamente todas as espécies do gênero Aptostichus e nomeou-as em homenagem a diversas outras personalidades, como Stephen Colbert, César Chávez, Juan Rodríguez Cabrillo, Bono Vox e Barack Obama.

Todas as aranhas são venenosas, mas nem todos os venenos são perigosos ao homem. Apesar da aranha-de-alçapão não ocorrer no Brasil, diversas outras espécies de aranhas ocorrem. Por isso, sempre tome cuidado e não provoque ou machuque as aranhas. É sempre melhor prevenir do que remediar!


Referências:
 

Bond, J. E.; Opell, B. D. 2002. Phylogeny and taxonomy of the genera of south-western North American Euctenizinae trapdoor spiders and their relatives (Araneae: Mygalomorphae, Cyrtaucheniidae). Zoological Journal of the Linnean Society, 136: 487–534. doi: 10.1046/j.1096-3642.2002.00035.x
Bond, J. E. 2012. Phylogenetic treatment and taxonomic revision of the trapdoor spider genus Aptostichus Simon: Aranea, Mygalomorphae, Euctenizidae. PenSoft Publishers LTD, p.59-69. ISBN 9546426644.
Ruppert, E.; Barnes, R. D. 1996. Zoologia dos Invertebrados. 6ª ed., Roca Ed., São Paulo. 1029p.


Autoria: Rayanne F. Ayres

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

O chupa cabra alado da Europa - Caprimulgus europaeus Linnaeus, 1758

Com o modo de vida conturbado atual, quase nunca nos atentamos ao fato de que inúmeros fatos na Ciência são na verdade herança de antigas e fascinantes crenças populares. O que você pensaria ao escutar de pessoas mais velhas que um passarinho alimenta-se de leite de cabra? Diante dos saberes atuais, isto soaria muito estranho! Mas, imagine-se andando por uma caprinocultura durante a noite até que, de repente, você vê uma avezinha mamando um dos animais. Bizarro é a palavra para esta cena! Entre aves noturnas, cabritos e chupa cabras, eis Caprimulgus europaeus Linnaeus, 1758.

Caprimulgus europaeus Linnaeus, 1758 (Caprimulgiformes: Caprimulgidae)

Etimologia:
Capri = cabra.
mulgus = (do Latim, mulgere) tirar leite.
europaeus = europeu ou da Europa.

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O noitibó-europeu (C. europaeus) é uma ave que mede entre 24,5 e 28 cm, com a coloração dorsal marrom-acinzentada listrada de castanho-escuro e com um “colar” pouco definido na nuca amarelo-pálido. A parte ventral é marrom-acinzentada com barras marrom. As cores de Caprimulgus europaeus facilitam sua camuflagem no ambiente. É possível distinguir o sexo na espécie, já que o macho possui manchas brancas nas asas, que são ausentes na fêmea. O noitibó é conhecido como bacurau ou curiango no Brasil.

Numa antiga crença europeia, acreditava-se que C. europaeus mamava cabras! Plínio, o Velho, foi um
O mito de Caprimulgus. Fonte: Freddy Pallinger 2015.
naturalista romano e autor da importante obraNaturalis Historia” que viveu entre 23 e 79 d.C. Segundo o autor, os “chupa-cabras” entravam nas barracas dos pastores e voavam até as tetas das cabras com o objetivo de sugar leite, o que machucava as tetas e as fazia perecer. Por sua vez, as cabras ordenhadas dessa maneira, ficavam gradualmente cegas. Ah! Veja como são os mitos!

A história não é verdadeira, mas uma confusão feita pelos pastores ao verem estas aves voando perto das cabras para capturar insetos durante a noite. Provavelmente pela forma e cores estranhas do noitibó-europeu, estas adoráveis criaturas eram culpadas pelas doenças que atingiam os rebanhos.

Em homenagem ao mito de Plínio, o naturalista Carolus Linnaeus (Lineu, para os mais íntimos) batizou a espécie de Caprimulgus europaeus. A publicação desta e de milhares de outras espécies está no livro Systema Naturae, de 1758. Mais ou menos 100 anos depois, o zoólogo e político irlandês Nicholas Aylward Vigors nomeou toda a família de pássaros similares de Caprimulgidae.

Os membros da família Caprimulgidae são insetívoros. Seus bicos são diminutos, mas suas bocas enormes, o que facilita a alimentação. Bacuraus ou curiangos não são capazes de realizar ecolocalização (localizar um objeto por ondas sonoras) e não possuem audição aguçada como suas companheiras noturnas, as corujas. Portanto, esses animais dependem de um mínimo de iluminação para caçar, fato que faz do crepúsculo e noites banhadas pela luz do luar, situações ideais para caçar.

É comum encontrar bacuraus em beiras de estrada, já que nelas esses animais fazem da luz emitida por iluminação pública ou por veículos, uma aliada na hora da caça. Há relatos de várias espécies dessa família caçando ao redor de queimadas noturnas no Brasil central. Também no Brasil, há relatos de uma espécie aparentada, Chordeiles nacunda (Vieillot, 1817), caçar durante o dia junto a andorinhões.

Caprimulgus europaeus jovem. Fonte: Norman Deans van Swelm.
Assim como outros bacuraus, Caprimulgus europaeus captura insetos aos montes. Os insetos grudam uns aos outros, de maneira que uma massa espessa é formada dentro do bico, impossibilitando a deglutição dos insetos de forma individual. Este processo facilita a captura de insetos, pois os já capturados não podem fugir e a ave não precisa parar a caçada para engolir cada inseto individualmente. Com isso, suas moelas podem armazenar centenas de insetos ao mesmo tempo. Isso mesmo, centenas!

Apesar do apetite voraz, não pense que esses seres não são seletivos com o que ingerem. Ao redor de suas narinas, olhos e na base de seus bicos, é possível ver a presença do que parece um bigodinho. Essas estruturas são as cerdas gustativas, penas especializadas utilizadas para aprimorar o paladar dos bacuraus, uma seleção pelo tato. Com um predador desses a solta, alguns insetos trataram de percorrer um caminho evolutivo que os protegem desses esfomeados. Alguns insetos produzem substâncias tóxicas que os tornam impalatáveis (de gosto ruim). Um dia da caça, outro do caçador!

O gênero Caprimulgus é o mais rico em número de espécies da família Caprimulgidae. Atualmente são 56, espalhadas por todos os continentes, sendo 19 na África, 12 na Ásia, 12 na América do Sul, 7 na América Central e ilhas do Caribe, 2 na América do Norte, 2 na Europa e 2 endêmicas de Madagascar. No Brasil, não ocorrem representantes deste gênero. Será que nossas cabras estão seguras?!

Existem seis subespécies reconhecidas de C. europaeus e elas se distribuem da seguinte forma:

C. e. europaeus Linnaeus, 1758 = norte e centro da Europa, Ásia central-setentrional até a região Leste do
Caprimulgus europaeus. Fonte: Ian H. Leach.
Lago Baikal (Rússia).
C. e. meridionalis E. J. O. Hartert, 1896 = noroeste do continente africano, leste da Península Ibérica, sul Europeu, Crimeia, Cáucaso, Ucrânia, noroeste do Irã e Mar Cáspio.
C. e. sarudnyi E. J. O. Hartert, 1912 = Cazaquistão, a partir do leste do Mar Cáspio, até o Quirguistão e as regiões montanhosas de Tarbagatai e Altai.
C. e. unwini A. O. Hume, 1871 = leste do Iraque e Irã até oeste da Cordilheira de Tien Shan (Ásia Central), além da região de Kashgar (China), Turcomenistão, Uzbequistão e Paquistão.
C. e. plumipes Przevalski, 1876 = leste de Tien Shan (China e Mongólia).
C. e. dementievi Stegmann, 1949 = sul da região montanhosa da Transbaikalia (Rússia) e nordeste da Mongólia. Migrante de inverno na África subsaariana.

Agora, toda vez que for beber aquele leite gelado, ou até mesmo quentinho com chocolate pela manhã, lembre-se do chupa-cabras e de que ele não é um monstro sugador de leite, mas uma incrível ave noturna que caça insetos nas noites de lua cheia!


Referências:

Del Hoyo, J.; Elliott, A.; Sargatal, J.; Christie, D. A. (Eds.). 2013. Caprimulgidae. Handbook of the Birds of the World. Disponível em: http://www.hbw.com/.
Jobling, J. A. 2010. The Helm Dictionary of Scientific Bird Names. London: Christopher Helm.
Sick, H. 2001. Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. Sigrist, T. 2009. Guia de Campo Avis Brasilis Avifauna Brasileira. Vinhedo: Avis Brasilis Editora.


Autoria: Priscilla Diniz

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Não é cosmético, mas é Boticário - Ituglanis boticario Rizzato & Bichuette 2014

O grupo Boticário é reconhecido nacionalmente não apenas por sua linha de cosméticos como também pelo apoio que sua Fundação presta a pesquisas e trabalhos de conservação da biodiversidade. Em sua homenagem, recentemente mais uma nova espécie da fauna brasileira foi nomeada, Ituglanis boticario Rizzato & Bichuette 2014.

Ituglanis boticario Rizzato & Bichuette 2014 (Siluriformes: Trichomycteridae)

Etimologia:
Itu = (do grego, ityos) círculo
glanis = peixe que pode comer a isca sem tocar no anzol.
boticario = Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.
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Ituglanis boticario é uma espécie de peixe de grande importância especialmente por ser endêmica da Gruta da Tarimba, interior de Goiás. É classificado como um troglóbio por ser exclusivamente subterrâneo. Ituglanis boticario está na família Trichomycteridae, ordem Siluriformes, popularmente conhecidos como peixes-gatos.


Ituglanis boticario. Fonte: Rizzato e Bichuette 2014.
Essa família é caracterizada por pequenos bagres que apresentam bocas bastante especializadas. Essa é uma das famílias mais interessantes de peixes Neotropicais, pois é a segunda família de Siluriformes com maior número de espécies e diversidade em hábitos de vida.

Ituglanis é um grupo monofilético, ou seja, todas as espécies possuem um mesmo ancestral. São reconhecidas mais outras 23 espécies no grupo, sendo que cinco ocorrem na mesma região de Ituglanis boticario:

I. passensis (Fernández & Bichuette de 2002).
I. bambui (Bichuette & Trajano, 2004).
I. epikarsticus (Bichuette & Trajano, 2004).
I. ramiroi (Bichuette & Trajano, 2004).
I. mambai (Bichuette & Trajano, 2008).

Ituglanis boticario é um peixe pequeno, não ultrapassando 10 cm de comprimento, e possui grandes bigodes alongados, lembrando os bigodes de um gato. Apresentam coloração rosada, quase transparente. As características que o diferem de outras espécies são: pigmentações em listras longitudinais pelo corpo, presença de pequenos dentes bem desenvolvidos próximos às brânquias, importantes para a fixação do animal, e oito raios na nadadeira peitoral.

Assim como outros animais que vivem em áreas subterrâneas, I. boticario possui a visão pouco desenvolvida, mas outros sentidos são bastante aguçados, como o olfato e o tato. Alimentam-se de invertebrados, sendo um predador de topo nas águas subterrâneas, o que demonstra sua importância neste ecossistema.

A Fundação Boticário ajudou no financiamento da pesquisa que descobriu a espécie e seu mérito resultou em fazer parte do nome dela. A Fundação tem apoiado diversas outras atividades para a conservação da biodiversidade, sendo homenageada também em Megaelosia boticariana (Giaretta & Aguiar, 1998), Passiflora boticarioana Cervi 2006, Gymnanthes boticario Esser, Araújo & Alves 2010, Aphyolebias boticarioi Costa 2004 e Listrura boticario de Pinna & Wosiacki, 2002.

Apesar de ter sido descoberta recentemente, a espécie corre risco de extinção devido à degradação em torno da única caverna onde pode ser encontrada. Esta espécie tem sido utilizada como espécie-bandeira na conservação da região.

Referências:
Fundação Grupo Boticário, 2015. Disponível em: < http://www.fundacaogrupoboticario.org.br/pt/noticias/pages/nova-especie-de-peixe-e-descoberta-no-brasil.aspx>. Acesso em: 14 de fev. 2015.
Rizzato, P. P.; Bichuette, M. E. 2014. Ituglanis boticario, a new troglomorphic catfish (Teleostei: Siluriformes: Trichomycteridae) from Mambaí karst area, central Brazil. Zoologia (Curitiba), 31(6): 577-598.
Wosiacki, W. B.; Dutra, G. M.; Mendonça, M. B. 2012. Description of a new species of Ituglanis (Siluriformes: Trichomycteridae) from Serra dos Carajás, rio Tocantins basin. Neotropical ichthyology, 10(3): 547-554.


Autoria: Nayara de C. Chaves



domingo, 15 de fevereiro de 2015

Crustáceo do Rock - Cirolana mercuryi Bruce, 2004

Quem nunca ouviu falar da banda de Rock Queen e do lendário Freddie Mercury?! O Rock é um gênero musical que fala de várias histórias e sentimentos, especialmente sobre amor. Uma espécie de crustáceo de Zanzibar reúne tudo isso em um só nome: Cirolana mercuryi Bruce, 2004.

Cirolana mercuryi Bruce, 2004 (Isopoda: Cirolanidae)

Etimologia:

Cirolana = anagrama referente ao nome Carolina, uma desconhecida relacionada ao descritor do gênero, William E. Leach.
mercury = entrar.
-i = radical indicativo de que o epíteto é homenageia uma pessoa do sexo masculino.

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Cirolana mercuryi. Fonte: Bruce (2004).
A origem do nome do gênero Cirolana é envolta em grande mistério. Ao contrário do que muitos pensam, o nome não possui etimologia em uma língua antiga, mas sim é um anagrama referente ao nome Carolina, uma desconhecida relacionada ao descritor do gênero, William E. Leach. William nunca explicou quem era a tal mulher, porém é fácil inferir que houve um grande afeto entre os dois.

Entre as várias espécies do gênero Cirolana, C. mercuryi homenageia Freddie Mercury, cantor e fundador da banda Queen que dedicou muitas de suas músicas ao amor. Apesar de ter sido descoberto em 1995, esta espécie foi descrita apenas em 2004, pelo pesquisador Niel L. Bruce. Fã do Rock, Niel resolveu homenagear um dos maiores astros da música, Freddie Mercury. O cantor nasceu em 1946 no arquipélago onde C. mercuryi é encontrada, na região de Zanzibar, Tanzânia.

Cirolana mercuryi faz parte do subfilo crustácea e da ordem dos isópodes, grupo no qual se incluem os famosos tatuzinhos-de-jardim. Isópodes Cirolana são pequenos crustáceos achatados e com placas fundidas no lugar de uma carapaça. Possuem abdômen curto, onde estão os pares de patas. Na cabeça, há um par de antenas, dois omatídeos (olhos compostos), e uma armadura bucal, composta por vários apêndices com funções diferentes. Muitos destes apêndices possuem nomes estranhos, como maxila, mandíbula, maxilípede, maxílula e apêndice mandibular.


Cirolana sp. Fonte: lifescience.com

Cirolana mercuryi é um pouco distinta das demais espécies neste gênero, pois apresenta a parte da frente da cabeça maior e suas antenas e antênulas são inseridas nos lados desta, não na frente. Outra característica marcante é que a espécie é translúcida e possui alguns cromatóforos (células pigmentadas da pele) amarronzados espalhados pelo corpo. Mas, o que realmente diferencia esta espécie de qualquer outra no planeta é o fato de as placas da cabeça e do meio do abdômen serem bem expandidas. 

A África Oriental, incluindo a costa do Quênia e da Tanzânia, apresenta uma estabilidade climática ótima que contribui para a diversidade de espécies em águas rasas. Além de Cirolana mercuryi, há 224 outras espécies descritas neste mesmo gênero em todo o mundo, sendo que seis ocorrem no Brasil:  

C. (Anopsilana) jonesi (Kensley, 1987) = Bahia.
C. (Anopsilana) browni (Van Name, 1936) = estuários de Pernambuco e Paraíba. 
C. minuta Hansen, 1890 = Amapá.  
C. palifrons Barnard, 1920 = da Bahia ao Espírito Santo. 
C. parva Hansen, 1890 = do Amapá ao Espírito Santo.
C. lemoscastroi Paiva & Souza-Filho, 2014 = Potiguar, Rio Grande do Norte, até o Espírito Santo.
 

Tanto C. mercuryi quanto as seis espécies brasileiras do mesmo grupo ainda não são consideradas ameaçadas de extinção. Entretanto, como muitas delas vivem em ambientes ameaçados, tais como recifes de corais e estuários, há grave um risco de ameaças pelo desenvolvimento urbano, atividades turísticas sem controle e o branqueamento de corais devido à mudança de temperatura dos oceanos. É importante cuidarmos destes ambientes e darmos atenção a estes organismos. 

Referências:
Bruce, N. L. 2004. Cirolana mercuryi sp. nov., a distinctive cirolanid isopod (Flabellifera) from the corals reefs of Zanzibar, East Africa. Crustaceana, 76 (9): 1071-1081.
Schotte, M. 2014. Cirolana mercuryi Bruce, 2004. In: Schotte, M.; Boyko, C.B; Bruce, N.L.; Poore, G.C.B.; Taiti, S. & Wilson, G.D.F. (Eds) World Marine, Freshwater and Terrestrial Isopod Crustaceans database. Disponível em: http://www.marinespecies.org/aphia.php?p=taxdetails&id=256546 on 2015-02-11.
Paiva, R. J.C.; Souza-Filho, J. F. 2014. A new species of Cirolana Leach, 1818 (Isopoda, Cymothoidea, Cirolanidae) from Brazilian coast. Nauplius, 22(2): 91-102.
van der Land, J. 2001. Isopoda - excluding Epicaridea. In: Costello, M.J. (Ed.) European register of marine species: a check-list of the marine species in Europe and a bibliography of guides to their identification. Collection Patrimoines Naturels, 50: 315-321. 

Autoria: Nayara de C. Chaves